terça-feira, 18 de junho de 2013

Cantinho da leitura



É MEU! É MEU! É MEU!
    Na ilha viviam três sapos três sapos briguentos chamados: Milton, Roberto e Lídia. Eles brigavam e discutiam desde a aurora até o anoitecer.
-Saia da lagoa! – berrava Milton. – A água é minha.
- Saia da ilha! Gritava Roberto. – O chão é meu.
- O ar é meu! Guinchava Lídia, pulando para pegar uma borboleta. E era isso o tempo todo.
   Um dia uma rã enorme apareceu na frente deles.
- Eu moro do outro lado da ilha – ela disse -, mas o dia todo ouço vocês gritarem: “É meu! É meu! É meu!” Não é possível ter sossego com esse berreiro. Assim não dá para continuar!
   Dizendo isso, a rã virou as costas e saiu pulando pelo mato.
   Assim que a rã se foi, Milton saiu correndo com uma minhoca enorme na boca. Os outros foram pulando atrás dele.
- As minhocas são de todos! – eles gritavam.
Mas Milton coaxou, protestando:
- Não! Esta é só minha!
   De repente o céu escureceu e o estrondo de um relâmpago envolveu a ilha. A chuva tomou conta de tudo e a água da lagoa se tornou lamacenta. A ilha foi diminuindo, engolida pela enchente. Os sapos estavam assustados.
   Desesperados, eles subiram nas poucas pedras escorregadias que ainda se mantinham fora da água escura e revolta. Mas logo também elas foram desaparecendo.
   Só sobrou uma rocha, e os sapos se encolheram em cima dela, tremendo de frio e pavor. Mas ali, bem juntinhos, compartilhando os mesmos medos e esperanças, elas se sentiam melhor. Aos poucos a enchente foi baixando. A chuva ficou mais fraca e logo parou totalmente.
   Mas vejam só ! A rocha em que os sapos tinham se refugiado não era rocha coisa nenhuma.
- Você salvou nossas vidas – eles gritaram, ao reconhecerem a rã.
   Na manhã seguinte, a água tinha clareado. Os raios de sol faziam brilhar
os peixinhos no fundo arenoso da lagoa. Muito alegres os sapos pularam na água e, um ao lado do outro, nadaram em torno da ilha toda.
   Saíram juntos, tentando pegar as borboletas que enchiam o ar.
   Mais tarde, descansando no meio das plantas, eles sentiam uma felicidade enorme, como nunca tinham sentido antes.
- Que paz! – disse Milton,
- Como tudo é bonito! – disse Roberto.
- Sabem de uma coisa? – disse Lídia.
- O quê? – perguntaram os outros.
Tudo isso é nosso! – ela disse.

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